Pensamentos do dia

“O sujeito do inconsciente é sempre feliz.”

Eu não quero ficar no Romance.

A vida não é o facebook.

A vida não é o facebook do Jorge Forbes.

A vida do facebook corre. Há vida do facebook?

Meu computador está com blackout (vírus). A minha vida pegou virose?

Meu filho ainda mama. Meu filho manha. Meu filho da mãe. Eu sou a mãe. Eu sonhei.

Eu não segui as Instruções da Yoko Ono.

O sujeito do inconsciente.

Minha lista de desejos foi enumerada. Estou careta. Enumerei os desejos. Só que escrevi tudo tão extenso que foi como se não houvesse mesmo números, nem ordem na lista. Para abrir em 2035. 18 anos do Pedro. Que será quando terei a idade das mulheres que escondem-se da idade.

Você escutou? Eu vim para parar com Isso. Por que você não marcou que escutou? Você é um poço de paciência. E eu estou há quase uma década bebendo do Posso da sua paciência. Muito obrigada. É só isto mesmo. Quase.

Eu vou te escrever uma carta. Um dia. Todos os dias um dia. TODOS os dias num dia.

e seguir as minhas instruções.

Será?

lá restou

Aquela pergunta incomodando.
Clarice escrevia em guardanapos
Era mãe, dona de casa e ainda estrangeira.
Estrangeira como quisera ser. Como ainda quer ser. Como ainda não se desfez de língua a inventar no céu da boca
outros céus.
Mais seus.
Os mais seus não trabalham? Só nascem de inspiração e quedam órfãos. Por que não fazer uma simples pergunta,
daquelas que fazem nascer novas questões analíticas,
daquelas que fazem livres associações,
daquelas que danam sessões e sessões e sessões
anosinteiros
Por que não construir um abrigo para estes textos órfãos. Um abrigo-livro. Um abrigo-livro-digital. Por que não, afinal, digitá-los?
Digitá-los de uma vez,
a cada vez
a cada vez
a cal da vez
De que técnicas de sopro e de respiração
é que se encarece o seu valor?
Qual o seu talento transformando-se em qual
a sua lentidão
Qual a sua lentidão?
Qual a sua lentidão, lá estou, personagem, te esperando experimentar

dorme o gigante

dorme o pequeno
 
 
dorme, pequeno
dorme pequeno
em toda a sua grandeza de rei
ele dorme
 
 
digita, moça
digita mulher
pequena
 
 
digita, fôlego
digitam os maus dedos.
 
 
digita-se clandestinamente
sem planejar
 
 
sequer pestanas.
 
 
não sabe onde pôs word.
 
 
não sabe gmails
jamais soube?
 
 
a pergunta endereçada à fonte de textos:
qual era?
 
 
se uma pergunta
o que pode
mover
 
 
o que move uma pergunta?
 
 
café frio das 14hs
antes do parque
em descabelo, em roupas móveis
ossos frágeis
 
 
mas a mãe é tão invisível quanto forte.
 
 
o sono que guia o texto
vai travando o pensamento
 
 
o pensamento amarrado ao carrinho
 
gigante.
 
 
um pensar gigante engolido a cada sucção.
 
 
um passar.
 
 
passou.

 

Vendo anúncio

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Este anúncio de vende-se na porta do Pouso da Palavra

Me fez lembrança

dos próprios pequenos velhos,
engraçados, interessantes,
grandes, particulares,
internacionais e locais,
curiosos e desejantes,
– às vezes impróprios –

objetos que o *poeta & fotógrafo* Damário Dacruz colecionou em seu interior.

Cachoeira de seu interior escolhido e vivido

seu sono alto,
seu sonho acordado.

Seu quarto mais escuro,
Sua sala iluminada.
O seu rio, a sua ponte.
O seu sobrado.

Este sobrado com a placa de vende-se retorna de sonho vivido

todo ele um objeto à oferta na praça pública, um desejo a ser colhido em cesta de feira,
ele assim colorido!…

Ele que era um calor. Um colo.

Este sobrado,
este Pouso da palavra

Este anúncio sobra
E não faz sombra.

– Ai, nossas faltosas palavras
ficam assim
também sobrando no ar.