o sol escuro
Conheci…
Entrei num exercício que é “Algumas coisas que conheci nos últimos anos…” e deu que conheci:
A saudade de casa, de feijão de Ana, de tomar café com Vó.
A falta de morar com Juliana Reina Machado em nossa Medianera.
A ausência presente de Ana Leite E Aguiar, minha amiga da madureza das palavras.
… Os sambas paulistanos.
Michael Jackson.
O nome Paulo, com o amor de Paulo…a beleza, o riso, o chão, o voo, o som.
A prosa de um tal Lacan.
Os sebos da Pedroso de Moraes.
Pessoas com sotaques inimagináveis e diferentes umas das outras, todas num curso cujo fim não prevemos.
O modo único de Peter visitar São Paulo, sempre no mês de Maio.
A dor de perdas irreversíveis.
O divã, ainda em apresentações.
DVD pirata.
Comida a kilo 5x por semana…
Uma vila chamada Matilde.
Meu arroz…com arroz.
E, é claro, a linha amarela do metro facilitando minha vida,agregando qualidade de vida a minha vida!!!
É passado o tempo de sobrevivência. A vida em todas as suas veias, vias, vértices e o vórtice. Aquele imesmo.
Mas é que tem uma alma tão condensada, estreita texto. É apertada que vai tentando se dizer. Se dizer da vida que vem em partes.
O fracasso restante chega a esmagá-la?
Desta noite em diante todo ruído de chaves será você.
E só.
O personagem. Pergunta-me sobre o personagem. Saiu de mim, levantou-se de mim. Demorou. E saiu. D mudou-se. Morou na casa que é de lado para o Sol, seus passos assoalhos tinham o destino do incerto familiar. Voltando, damos um passo para trás de onde estamos? Saudades de tantos. De Rosa…
Por que percorre o que escreve com um olhar de alinhavo? Repete, repete, repete… é um jeito seu. E só.
O que lhe vier à cabeça. O que lhe desvia.
Inútil perguntar quando comecei a digitar-me. Aparentemente, o canal continua.
“Sempre que escrevemos estamos enviando cartas”.
“Damário carrega no nome um verbo, o mar e o rio”
em Tributo ao poeta Damário Dacruz da tve Bahia.
Imaginando os relâmpagos e trovões da cidade Salvador. Sentindo com a imaginação o frio exclusivo da cidade Copenhagen. (Temperaturas e céus adormecem minhas outras somas) No 21, todas as janelas fechadas não desaparecem os sons das ruas. Tomo café às 21 horas da noite e começo a acordar do dia.
Estou pensando agora em
Pensar. Caminhar, abraçar, beijar. Pois que já sonhei parte da noite e a manhã quase inteira. Acordei mais um dia de te amar. Visto que despertei para dentro, então devo continuar sonhando. Te amar amando. Deixando os dias arranhados e fanhos. Estive pensando em viver ou pensar, em abandonar ou provocar isto que se se faz, pode vir a ressoar brancas a dentro da branca. Poluídas a dentro de poluídas. A tela do ônibus, a tela do ar da rua nos condenam de sons, de cores, de falta de espaço quase o dia todo. Este pensamentozinho não coube no facebook. Veio restar aqui. Pleno meio dia.
Existem pássaros.
Dos olhos é que não voam sempre palavras…
Estadias
Toda a palavra que passa é emprestada. Toda palavra passa. Toda palavra empresta ser e passo enquanto a travessa. E rouba, ladra, coxa, cai. Um lufão de nuvens ventadas adivinhadas da cidade em que não se está…meus pés se adaptam a nova estátua.
Que quero eu com as pessoas? Que quero eu com a língua, com as roupas, com os trapos que não diminuem o silêncio do pensamento. Que quero eu com os olhos que não tiram das vistas um ir e vir sem fim que não aproxima. Vejo teu casaco branco, eu foco no teu casaco branco, teu cachecol, na cor dupla das mexas do teu cabelo…suas unhas também brancas. E vejo que a cor da sua fala, a cor na sua fala eu não vejo. Então mudo de lugar e nunca mais saio da sala e assim cem mil e cem lugares nunca mais saem de mim. Eu me pergunto onde estou mais exposta. E se devo estar mais protegida ou exposta. Qual a maneira de melhor me vestir? E quando eu for, o que será de mim? Quando eu me vestir de mim mesma, eu serei muito diferente ou apenas serei revelada a quem, ao ver vazio, para conter sua própria angústia produz mil apliques no corpo que se apresenta?
Meu tio Damário…
Certeza de que meus pousos fotográficos passaram antes por você. Você é o meu tio gêmeo…na fotografia que quer ser poesia, na poesia que quer ser fotografia, no nome que é o menino de Damari.
Com amor e saudade para sempre,
Ingrid Mara
Para onde será que escoaram das minhas chuvas as palavras?